01. Argélia… primeiras impressões!

 

Foi em silêncio e com os olhos fitos na linha do horizonte que observei os últimos raios de sol à medida que este se escondia por detrás da Basílica de Santa Maria na cidade de Orão. À minha volta várias pessoas contemplavam o mesmo cenário, grupos de amigos que falavam alegremente à medida que apontavam o dedo para a cidade, um pai com o filho ao colo e que lhe sussurrava ao ouvido, e uma mulher que me despertou a atenção. Também ela observava a cidade com o olhar fixo e sem pestanejar. A sua expressão falava, a felicidade que dela emanava dizia que voltava para o que era seu, para o que lhe era querido. O seu silêncio clamava bem alto a singular palavra que nós portugueses conhecemos como Saudade. Palavra que expressa de uma forma universal o sentimento de todos aqueles que pelas mais diversas razões, se vêem forçados  a sair do seu país, a cortar nem que seja temporariamente os laços com a sua própria cultura para abraçar outra.

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Na mesma amurada, do mesmo navio, à mesma hora, duas pessoas que vivenciam sentimentos e emoções tão distintas. Para mim a silhueta da cidade de Orão representa o exótico, o desconhecido, a aventura. Para esta mulher representa o que lhe é querido, familiar, acolhedor.

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O que é estranho para um, é familiar para o outro. O desconhecido, provoca estranheza, insegurança, mas de facto só o é para mim. Advogo pois que a solução para os problemas do mundo seja viajar. Quando ultrapassamos a insegurança daquilo que é diferente para nós, descobrimos o mundo que é familiar para os outros, o desconhecido passa a ser conhecido e deixamos de ser tão inseguros.

Tive pois a felicidade de ser convidado para integrar esta expedição. Dez jipes, dezoito pessoas. Tanta gente, muita gente, dirão alguns, a gente suficiente, digo eu! Cada um com as suas próprias experiências, com as suas perícias, revelou-se em dado momento fundamental para o sucesso desta expedição. De todos, certamente eu era o menos experiente, para alguns o estagiário, para outro o pendura. A piada fácil entre o grupo era que finalmente me tinham conseguido “agarrar” e trazido num grupo. A todos eles o meu muito obrigado, tornaram esta viagem inesquecível.

Argélia esse colosso de África, mas que é praticamente desconhecido. Se hoje em dia proliferam as viagens para Marrocos, Mauritânia ou mesmo Senegal a realidade é que a Argélia se tem mantido um território praticamente inalcançável em termos de expedições. A principal razão prende-se com a dificuldade na obtenção dos vistos e aqui cabe-me prestar o devido reconhecimento a quatro pessoas que foram incansáveis ao terem que percorrer um processo burocrático digno de um livro de kafka para que fosse possível a obtenção dos mesmos. Eles são o João Cardoso, o Leonel Sousa (que depois de todo o seu empenho acabaram por não poder integrar esta expedição), o Parola Gonçalves e o Rui Rodrigues. Foram muitos e muitos dias de trabalho para que esta expedição pudesse acontecer e sem que tivessem qualquer beneficio pessoal… nos dias que correm é uma verdadeira raridade.

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O Spot que nos iria acompanhar por toda a viagem.
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A desfrutar das 7 horas de viagem entre Almeria e Orão

Quanto a mim o mérito que tive na organização desta viagem foi entregar o passaporte para receber o visto, ver uns tutoriais no youtube de como fechar aquelas tendas simpáticas dos 2 segundos, atirar com a mala da roupa para a traseira do Elerre Azul e zarpar! E que posso eu dizer do meu companheiro de viagem? Durante duas semanas, fomos família, fomos confidentes, rimos, rabujámos, estivemos em silêncio sem que fosse desconfortável, cantámos em altos berros Lou Reed, cuidámos um do outro e ficámos amigos. Leonel Ribeiro, Obrigado!

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Se os dias que antecedem uma expedição como esta são morosos de passar com a ansiedade, quando o despertador toca, zás!!! Somos apanhados num vórtice de tempo e os acontecimentos sucedem-se a uma velocidade vertiginosa. Cacilhas a Almeria 800 kms, já está! 7 horas de Ferry, já está!…e… aqui estou eu na amurada do barco a ver o Pôr do Sol sobre Orão.

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O Ferry atraca, e subitamente todos nós passamos de um estado semi letárgico criado pelo suave marear do pacifico Mediterrâneo para um nervosismo miudinho. Há que descer para o porão, arrumar os pertences pessoais nos carros, e esperar que os portões se abram. No emaranhado de pessoas, carros, camiões fumarentos, descemos a tão aguardada rampa que nos dá o acesso porto de Orão. Num total de 80/100 viaturas no total (não sei precisar), somos agraciados com um tratamento diferenciado pelo chefe da Policia, fazendo com que a nossa coluna passe à frente de todos os outros, o que cria um misto de reacções, descontentamento de quem se vê ficar para trás gerando um senhor Buzinão, uma certa atrapalhação por parte dos oficiais da alfandega no preenchimento dos documentos, com evidentes dificuldades de comunicação, e da nossa parte um certo desconforto e embaraço perante este conjunto de acontecimentos, sem que tivéssemos tido qualquer culpa na situação. À nossa espera já está o nosso guia um Tuareg encorpado, vestido a rigor, com um sorriso pepsodente e com um coração de Ouro que se veio a revelar um homem de grande sabedoria e sensibilidade o “Madhi”, e o dono da agência de viagens que nos acompanhou durante alguns dias o Sr. Adnane que foi incansável em providenciar tudo o que íamos necessitando.

A conta gotas os carros são revistados…a rotina habitual, tira malas, abre malas, espreita aqui, espreita ali, um oficial mais atrevido sugere que a lanterna que um dos expedicionário leva, tinha melhor utilidade nas suas mãos… as perguntas do costume… levam álcool? vão para onde? Têm sistemas de comunicação? (Na Argélia é proibida a utilização de radios CB ou VHF)… e a mais surpreendente de todas! Levam Ouro? … Não, não levamos ouro, (somente o Madhi com o seu coração de ouro…). Rapidamente arrumamos tudo novamente nos carros. Entretanto o único scanner avaria devido ao peso de uma das viaturas, e quando estamos ali a 5 metros do portão de saída, tudo para trás novamente, mesmo ritual… entretanto vem um superior e diz que está tudo bem! Vamozimbora Leonel que já está. Abrem-se os portões e cá vamos nós. À nossa espera já estão as motas da escolta policial com os pirilampos acesos, e de uma forma meia rocambolesca arrancamos a alta velocidade em coluna, sempre a fundo pela cidade de Orão!!!

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Les Andaluses

Foram provavelmente 15/20 kms até resort onde ficámos muito bem instalados na primeira noite, “Les Andaluses”, no entanto para mim e para o Leonel, pareceram 100 kms. Eu explico…O gasóleo em Espanha é mais barato que em Portugal, e na Argélia é muito mais barato que em Espanha (0.11€ o litro). Ainda em Espanha ao vermos que tínhamos pouco gasóleo sugerimos a um companheiro de viagem que devíamos ir pôr gasóleo antes de embarcar, ao que nos respondeu… – Epá não vale a pena, pois mesmo à saída do porto há ali logo uma bomba… e de facto, eu vi! Estava lá! Mas a coluna não parou, e a luz da reserva estava acesa, e íamos a “bombar”, e não tínhamos forma de comunicar entre nós, e a lua estava alta, e os kms não passavam, e estava tudo escuro, e nas descidas eu só gritava ao Leonel “desengata Pá!!”… e lembrá-mo-nos de que nos tínhamos esquecido de uma das principais lições em expedições… nunca andar no limite do gasóleo. Lição! Se achas que deves fazer algo, faz… porque depois cada um está preocupado a tratar das suas próprias coisas e ficas pendurado… no estendal!

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A praia em Los Andaluses

O arco branco de tijoleira e o néon indicava “Les Andaluses” e indicavam também que o nosso tormento tinha terminado. Este resort de muito boa qualidade virado ao mar e com uma praia semi privada, bem vigiado e protegido recebeu-nos para a nossa primeira noite em terras da Argélia. Jantar pimpão, quartos limpos qb, e pequeno almoço à descrição deram-nos o boost necessário para o nosso primeiro dia de expedição. Destino Ghardaia e o Vale do Mzab… mas isso fica para a próxima que não vos quero aborrecer mais!

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Nomad Glamper – “Wild Life Division”

É com grande prazer de vos apresento a nossa parceria com a Nomad Glamper.

Quem é a Nomad Glamper?

A Nomad Glamper é uma empresa Portuguesa com um conceito inovador no aluguer de alojamento móvel, assente numa partilha de valores e um estilo de vida que permite proporcionar aos seus clientes uma experiência única na ligação com a natureza, promovendo à evasão e ao espírito de liberdade, com total mobilidade e um conforto de excelência.

Esta empresa presta um serviço de excelência no aluguer das tendas de tejadilho (Roof Top Tents), da mundialmente reconhecida marca James Baroud, permitindo agora a todos, usufruir de uma experiência Overland sem que para isso tenham que adquirir uma tenda.

Seja para uma escapadinha de fim de semana ou até para umas longas férias, esta é a melhor solução para aqueles que desejam partir em busca da aventura e memórias inesquecíveis.

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Como Funciona?

Todo o processo de alugar/reservar é extremamente simples e feito online

  1. Os interessados devem ir ao site www.nomadglamper.com e clicar em alugar/reservar.
  2. escolher as datas, definir o ponto de levantamento e efectuar a reserva.

Presentemente é possível fazer o levantamento das tendas em 2 localizações no pais.

Região Norte – Aveiro

Região Centro – Lisboa (Caparica)

A tenda é colocada sobre as barras de tejadilho (Thule, Atera, Norauto, etc) da viatura e afixada através de encaixes metálicos de modo a garantir máxima segurança. Caso não tenha barras de tejadilho, a Nomad Glamper disponibiliza umas barras de acordo com marca e modelo da tua viatura. (Deverão consultar previamente para saber a disponibilidade)

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Quais as vantagens desta parceria, para si?

Enquanto Parceiros Oficiais da Nomad Glamper, oferecemos a todos os subscritores do Out There Overland um desconto de 15% ao efectuar a sua reserva de uma tenda James Baroud (Não acumulável com outras campanhas em vigor)

Como usufruir desta vantagem?

  1. Subscrever o Blogue Out There Overland
  2. Ir ao site  www.nomadglamper.com e clicar em alugar/reserva

  3. Escolher as datas, o ponto de levantamento e efectuar a reserva

  4. No momento de fechar a reserva colocar o código de desconto       OTOVERLAND   onde diz Código do Cupom e clicar OK. De seguida o valor é ajustado ao   desconto e pode fechar a reserva.

Codigo de Cupom

Tudo fácil, tudo simples!

Só precisa de marcar na sua agenda a próxima aventura, que a Nomad Glamper e o Out There Overland tratam do resto!

Boas Aventuras… Out There!

say yes to adventure

Viagem ao Centro da Terra

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Comprou um Sports Utility Vehicle (SUV)! E agora?? Já tinha ouvido falar das capacidades off-road destes veículos, (o vendedor salientou-o bem), mas para já, sente que as vantagens de ter um SUV estão mais relacionadas com o facto de que nas voltinhas domingueiras a sogra, lá atrás, tem mais espaço para as pernas, e de que já pode subir aquele passeio quando deixa os miúdos na escola, do que com a ideia inicial de partir à descoberta, ter incursões por caminhos mais rudes, fazer umas escapadelas para fora da cidade e usufruir da natureza.

Mas!! Nós temos uma ideia! Esperamos vir a ter mais, mas para já temos uma ideia e que não vai desiludir! É tempo de marcar um fim de semana, pegar na máquina fotográfica e libertar o seu SUV pelas estradas menos trilhadas do interior do nosso país. Bem no centro de Portugal, no Concelho de Vila de Rei!

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Já anteriormente tínhamos andado por estas bandas. Por duas vezes com o nosso querido Mitsubishi Pajero, andámos a “vasculhar” os cantinhos mais recônditos da Ribeira de Isna, e da Sub-Região do Pinhal Sul Interior. Ambos os artigos suscitaram um grande interesse, inclusive a pessoas que não tendo um Todo o Terreno “puro e duro” me questionaram sobre a possibilidade de fazer estes tracks com um SUV.

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Artigos relacionados!

As Pontes Romanas da Ribeira de Isna

À Descoberta da Isna

Surgiu agora a possibilidade em parceria com a Revista Auto Mag e ao volante de um Opel Mokka X 4×2 (que agradou muito com os seus energéticos 136 cv), de criar um roadbook e subsequente track, criados especificamente para estes veículos.

Deixo aqui o link do track.

Vila de Rei em SUV

Por questões editoriais não publico o roadbook, pois é parte integrante do nº 43 da Revista Auto Mag. No entanto caso esteja interessado, posteriormente sugiro que que contacte por email.

Capa #43 Isna

Vamos então??!!

Esta aventura de dia inteiro começa no centro da vila de Ferreira do Zêzere mesmo em frente à Igreja de S. Miguel.

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Saindo da Vila pela N348, ainda antes de entrar no Concelho de Vila de Rei, tem logo dois pontos de interesse que vai querer visitar. O Mirador da Cruz Alta (com parque de merendas).

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Acesso ao Mirador da Cruz Alta 
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Mirador da Cruz Alta

Miradouro do Castro onde pode observar em primeiro plano a fronteira natural que separa os dois concelhos. O Rio Zêzere, principal afluente do Tejo e que, como consequência da barragem de Castelo de Bode apresenta aqui um generoso caudal.

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Vista do Mirador do Castro para o concelho de Vila de Rei

Passada a ponte na N348 sobre o Rio Zêzere e já no Concelho de Vila de Rei, vale a pena despertar os sentidos. É no suave bailado das curvas da “estrada panorâmica” que as margens do rio vão sendo reveladas (vai querer parar para tirar aquela foto). Tem como opção visitar as duas Praias Fluviais no Rio Zêzere (Zaboeira e Fernandaires), antes de rumarmos a “ESTE” para acompanharmos a Ribeira de Isna até ao limite do Concelho com as suas pontes de inspiração romana e as suas Praias Fluviais.

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Passagem pela Ponte de Palhais

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Um simpático Beirão com quem nos cruzámos e que queria à viva força que fossemos à sua casa comer e beber “qualquer coisita”.
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Serra dentro o Mokka portou-se que nem um herói, mesmo em algumas (poucas) situações de cruzamento de eixos e apesar da sua tracção dianteira, bastou desligar o controle de tracção, que facilmente se “desenvencilhou”.

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Ponte da Cova do Moinho
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Barragem de Isna

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Ponte da Tamolha
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Almoço no Restaurante Eléctrico

O Restaurante Eléctrico é um daqueles encontros improváveis. Uma mistura de Street Art com ruralidade, de um espaço amplo mas que é simultaneamente acolhedor. Ao entrarmos fomos recebidos pela proprietária que gentilmente nos conduziu a uma mesa. Pouco mais! Dali em diante é cada um por si, buffet generoso, especialmente o cozido à portuguesa, bebidas free refill, sobremesas caseiras e até o café para finalizar a refeição tem que ser tirado por nós. O ambiente é festivo e descontraído, (até tivemos direito a uma desgarrada ao acordeão na nossa mesa).

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Antes de se fazer à estrada, vale a pena passear pelo perímetro do Restaurante e ver as muitas peças de arte criadas pelo proprietário, o Sr. Aniceto. Artista que pega em lixo e o transforma em peças de arte. Surpreendente!

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Praia Fluvial de Bostelim

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Para informação futura, é possível pernoitar no Campismo Rural de Bostelim, estavam lá duas auto-caravanas!

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Praia Fluvial de Marmeleiro
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O percurso de cerca de 4kms entre a Praia do Marmeleiro e a Ponte dos 3 Concelhos, sofreu melhorias substanciais. 

A Ponte dos 3 Concelhos tem a particularidade de ser o ponto convergente dos concelhos de Vila de Rei, Sertã e Mação. Julga-se que terá sido construida entre os Sec. I e IV e reconstruida entre os Séc. XIII e XIV. Esta Ponte fazia parte de uma antiga Via Romana que ligava Mérida a Conimbriga.

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Ponte dos 3 Concelhos

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Praia Fluvial Pego das Cancelas

A partir deste ponto todo o trajecto remanescente é feito em alcatrão. Há ainda tempo para dar uma saltada à Praia fluvial de Cardigos (já no Concelho de Mação). Na Povoação de Cardigos existe uma 2ª opção para almoçar, no Restaurante o Solar do Moinho.

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Praia Fluvial de Cardigos

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Saindo de Cardigos, voltamos a entrar no Concelho de Vilar de Rei e dirigi-mo-nos para a Serra da Melriça, mais precisamente, para o Picoto. Local onde se encontra o Museu das Geodésias e o marco com cerca de 20 mts de altura que identifica o Centro Geodésico de Portugal Continental a nivel de coordenadas geodésicas. Esta foi uma das primeiras pirâmides geodésicas a ser construida no pais (1802).

Chegada ao Centro da terra!

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Depois… bem depois, é ficar assim, com um agasalho mais quente, deixar-se ficar! Deixar que as paisagens do dia passem em revista, os cheiros, o cantar suave da ribeira na cascata da Cova do Moinho, o azul e o verde e o azul misturados em mil tonalidades. E aguardar… Aguardar pelo render do Astro Maior, depois da sua jornada, altaneiro,  cruzando os céus, observando toda a nossa actividade, e juntamente com ele render-mo-nos nós também ao nosso refugio. Este foi um dia que valeu a pena ser vivido!

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Vamos a Zamora

Foi em Novembro de 2018 que aceitámos o repto lançado pela Land Lousã de nos embrenharmos pelo interior do nosso país, darmos o “salto”, para irmos até Zamora. Não para celebrarmos os 875 do tratado ali celebrado … Tratado de Zamora , mas para irmos comprar uns caramelos 🙂

Perante uma missão com tão banal objectivo, não restava a estes trinta e tal aventureiros outra opção, senão deliciarem-se com a condução por algumas das mais belas paisagens e desfrutarem do excelente espírito de amizade e camaradagem ao longo destes 4 dias. Desde a primeira hora que o ambiente era de uma verdadeira família. Sabem aqueles amigos do facebook que nunca tiveram a oportunidade de olhar nos olhos?? Eu penso que precisei pelo menos das duas mãos para contar os que encontrei, e foi uma alegria!!!

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Claro que alguém teve trabalho, muito, para tornar possível este passeio tão espectacular! Deixo aqui a nota de agradecimento ao “mestre” Parola Gonçalves e à Land Lousã, por todo o empenho e dedicação. Sempre ouvi que se queremos evoluir, devemos aprender com os melhores. Parola Gonçalves e a Land Lousã têm sido de à uns anos a esta parte, os nossos “mentores” em muitas áreas, sem que possivelmente tenham consciência disso. Cabe-me retribuir!! Um grande Bem Haja!

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The Man

Mas vamos à “Cena” !

Esta travessia de quase 500 kms, foi feita em três etapas, e teve um pouco de tudo, vales, montanhas, praias fluviais, planícies, passagens a vau…e muito, muito mais!

As etapas!

1. Lousã – Nabainhos

2. Nabainhos – Ciudad Rodrigo

3. Ciudad Rodrigo – Zamora

Para terem melhor a percepção deixo aqui o link do track, com muita informação útil. Zonas de maior dificuldade, sítios para pernoita, monumentos a visitar, etc.

Track Lousã – Zamora

A maioria do percurso é de dificuldade baixa, existindo algumas poucas situações que requerem um pouco mais de cuidado, mas nada que um qualquer jipe com as características de origem não consiga transpor.

Este é o passeio ideal para a família com um grupo de amigos. O prazer de poder cruzar as Serras do Açor e da Estrela, passar a fronteira de forma inusitada, conhecer a bela Ciudad Rodrigo e ver como é belo o Rio Duero na sua passagem por Zamora.

 

Do que é que estão à espera?? Óptima sugestão para 2019!!!

Deixo pois algumas das imagens que nos ficaram na retina!

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Partilhamos por prazer, mas também o procuramos fazer deixando as pistas necessárias, para que todos aqueles que independentemente de terem mais ou menos experiência, possam ter a informação necessária de forma a experimentarem por si as alegrias do TT Turístico.

Este é mais um desafio que vos deixamos para o ano que agora começa.

Por isso no final de um ano repleto de aventuras cabe-me agradecer o vosso input, sempre importante para nós! As vossas partilhas, os comentários, as perguntas, o encorajamento de uma forma geral! Um grande Bem Haja!

Partilhem, comentem, subscrevam, incomodem-nos com as vossas perguntas!

Acreditamos que há uma forma diferente de descobrir as belezas da natureza em respeito e harmonia com a mesma, e esse é o desafio que deixamos a todos.

 

 

Feliz 2019

Ricardo Santos

Na Senda do Urso Cantábrico

Muitas das nossas memórias estão ligadas ao tempo em que enquanto crianças brincávamos na rua.

Quem nunca? Na malandrice própria da infância e contrariando todas as advertências dos adultos, saltou a pés juntos para dentro de uma qualquer poça de água enquanto ria a bandeiras despregadas?

Gosto de pensar que apesar dos meus 48 anos guardo em mim uma razoável dose de ingenuidade que me leva a relegar para segundo plano potenciais catástrofes e perigos e uma grande dose de genuinidade que me leva a buscar experiências ligadas, à natureza, à terra, aos elementos mais básicos da nossas existência.

O que me leva a gostar tanto de viajar é a formula que une estes dois elementos..

Genuinidade+Ingenuidade=Felicidade

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A Senda del Oso, trouxe-me à memoria dias intensos de felicidade da minha infância.

A meteorologia desaconselhava vivamente qualquer passeio de bicicleta. Desde que acordáramos que a chuva não tinha parado de cair. A caminho de Entrago, onde começa este trilho, tinha inclusive nevado, pelo que fazer 20 kms de bicicleta quando não sabia se o piso era em terra ou alcatrão, não parecia um bom plano. Mas… o menino em mim achou que sim, e achou muito bem!

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Mas o que é a Senda del Oso?

É um trilho de bicicleta com sensivelmente 20 kms de comprimento, construído sobre uma antiga linha férrea mineira e recuperado como um caminho verde. Ao percorre-lo, somos surpreendidos pela passagem por diversos túneis e pontes e permite-nos observar a grande diversidade da flora local. Este trilho foi construído sobre pedra calcária, com mais de trezentos milhões de anos. 

Sempre a acompanhar o vale que o rio Teverga foi lavrando ao longo dos séculos no maciço calcário, este é um trilho muito fácil, praticamente sempre a descer pelo que todas as pessoas, mesmo aquelas que não têm muita experiência de bicicleta o conseguem percorrer sem qualquer dificuldade.

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O desfiladeiro de Penãsjuntas

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Pela ausência de ruído, ou de um motor a martelar, o silêncio reina. Paramos, e com os olhos fitos no infinito, ficamos assim a escutar toda aquela imensidão… pum, pum, pum… nos nossos tímpanos podemos sentir o bater compassado do nosso ritmo cardíaco, em parte pelo esforço de pedalar, em parte pela emoção de estarmos ali isolados e simultaneamente em perfeita harmonia com tudo o que nos rodeia.

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A cada pedalada, e talvez porque não nos tivéssemos cruzado com mais ninguém, ao percorrer estes vales e prados envoltos pela neblina e chuva que não cessava de cair, invadia-nos a sensação de que tínhamos viajado para muito longe… talvez no tempo, para um tempo longínquo, para uma era jurassica… a natureza revelava-se no seu estado tranquilo e selvagem.

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Se todo o percurso é fantástico pela deslumbrante vegetação e pela emoção sempre que cruzamos um dos muitos túneis e pontes, é em Proaza que temos uma verdadeira surpresa, pois ali encontramos a Fundação do Urso das Astúrias, onde podemos observar  a Ursa Molina e os Ursos Paca, Tola e Furaco.

Paca e Tola foram recuperados em 1989 pela FUA após a sua mãe ter sido morta por um caçador furtivo e desde 1996 que vivem nestas instalações, pois nunca mais se adaptaram a vida selvagem. Ambos se tornaram um símbolo da luta pela preservação do Urso Cantábrico e dos objectivos pelos quais a Fundação do Urso das Astúrias se rege.

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Paca

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De Proaza a Villanueva é um pulinho. Ali chegados foi tempo de nos refrescarmos no fontanário que fica mesmo ao lado da ponte medieval e aguardar que a nossa boleia chegasse. Sim, a nossa boleia…. porque com aquela chuvinha fazer mais 20 kms em sentido contrario não nos apetecia mesmo nada!

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Ao terminarmos, as tais memórias de infância assaltam-nos. O frenesim em cada pedalada, os salpicos de água no rosto, a roupa molhada… o sorriso espelhado no rosto é de felicidade e liberdade. Vale a pena ser criança novamente. Crescer com o passar dos anos é inevitável, envelhecer é opcional!

Dicas Importantes!

  • Sendo possível fazer o trilho em sentido contrário a partir de Tunon, pareceu-nos ser a melhor opção fazê-lo a partir de Entrago. Devido ao sentido ascendente do vale, fazer o trilho em sentido contrario representava andar sempre a subir.
  • Não é necessário levar bicicleta. Existem vários operadores turísticos que as alugam e que no fim do trilho fazem a recolha das mesmas e transportam as pessoas de volta ao inicio do trilho.
  • Recomendamos o operador TeverAstur.
    • Super simpáticos no atendimento.
    • Bom parque de estacionamento vigiado
    • Grande diversidade de bicicletas para alugar, incluindo “tandem” para transporte de criança.
    • Caso levem a vossa própria bicicleta (como foi o nosso caso) existe uma tarifa especifica, para nos transportarem e às nossas bicicletas de volta ao parque de estacionamento, e ainda nos permitiram usar as suas instalações para lavarmos as mesmas.

Somiedo, Terra de Ursos, Sidra e Felicidade

O que inicialmente nos levou ao Parque Natural de Somiedo, não foi mais do que a curiosidade com que fiquei quando descobri que este é o último reduto de Ursos Pardos em estado selvagem na Península Ibérica. A simples ideia de aqui tão perto poder ter a oportunidade, nem que fosse por breves momentos, de vislumbrar um destes animais no seu habitat natural, fez voar a minha imaginação e o Pajero, no meu desejo de conhecer tão fantástico lugar.

Tal não veio a acontecer… se bem que em todo o tempo os meus sentidos se mantiveram em alerta máximo. Sempre que ouvia um qualquer ruído vindo dos arbustos ou perscrutava um qualquer movimento no meio das montanhas, o meu coração batia mais forte e renascia a esperança de que tal fosse possível.

No entanto, em cada aspecto da nossa visita a este Parque Natural, foi possível sentir a omnipresença do Urso Cantábrico e da forma como a sua existência se cruzou ao longo dos anos com a dos habitantes destas montanhas mágicas.

Mas muito mais para ver e sentir, o PN de Somiedo reserva para aqueles que por lá se aventuram.

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Um sinal de alerta novo para nós… Ursos a atravessarem a estrada 🙂
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O mais perto que chegámos de um Urso… pelo menos que saibamos!

Situando-se a sensivelmente 80 kms\ sw de Oviedo nas Astúrias o PN de Somiedo, (que completou no dia 4 de Julho deste ano 30 anos, desde que recebeu a declaração de Parque Natural e Reserva da Bioesfera), é um conjunto montanhoso no encadeamento da Cordilheira Cantábrica. É peculiar pela sua pronunciada diferença altimétrica num território relativamente pequeno, que vai desde os 2194 m no pico El Cornón até aos 400m em Aguasmestas, e por uma vegetação exuberante devido aos altos índices de pluviosidade.

Mas vamos por partes…

Como chegar.

Para localizar melhor aqueles que não têm ideia onde fica, deixo aqui o link do track por onde andámos e como aceder ao PN vindo de Oviedo. Para os amigos do Todo o Terreno, sei que vos vou decepcionar, mas as nossas deambulações limitaram-se ao alcatrão. Confesso.. não estava preparado para explorações mais pelo interior e além do mais, sendo um Parque Natural e Reserva da Biosfera, por diversas vezes nos deparámos com o sinal de proibição a veículos que não estivessem autorizados e por opção não arriscámos!

Assim sendo cá fica para terem uma ideia de onde ir! Track PN Somiedo 

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Onde Ficar.

Devido à sua localização a vila de Pola de Somiedo é o melhor local para assentar arraiais, pela sua centralidade, pela sua beleza, assim como pela oferta de alojamento e restaurantes ali existentes.

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(Dica: É em Pola de Somiedo que se situa o Ecomuseu de Somiedo, onde podemos ter uma ideia mais clara, dos elementos etnográficos que formam e sustêm a cultura rural desta região. Também é possível visitar Centro de Interpretação do PN onde são salientados os valores naturais de Somiedo. Ambos são paragem obrigatória para uma melhor interpretação da vivência das gentes destas terras em tempos idos, e da sua interacção com o meio envolvente. Já para não falar na compra obrigatória de uma “pegatina” para  colar no “coche”!!)

No nosso caso em formato de “caracoleta” optámos pelo Camping La Pomarada de Somiedo.

Link Camping La Pomarada

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Um Parque de Campismo só para nós! Um luxo.

Com excelentes condições, gostaria de salientar a grande simpatia dos proprietários, que desde logo se disponibilizaram com sugestões, mapa e informações relevantes para conhecermos melhor o Parque. O “check In” ao parque faz-se na recepção do Hotel Castillo del Alba (o qual  também me pareceu uma excelente opção para os que optem por não acampar).

Existindo diversas opções no Booking.com gostaria de destacar;

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Sabia que existe uma forma de nos poder ajudar sem qualquer custo adicional e tornar este blogue mais sustentável?

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Onde Comer:

Restaurante El Meirel. O que nos levou a este restaurante foi o burburinho que um grupo de pessoas estava a fazer à sua porta, pois julgavam ter visto um Urso na montanha em frente ao restaurante. Cheios de esperança, ficámos também nós a olhar com toda a atenção e pelo zoom da maquina fotográfica,  por tal possível visão… mas 😦 falso alarme. E já que ali estávamos… espreitei para dentro do restaurante… e gostei logo do que vi. Principalmente a decoração, toda ela com elementos alusivos à história de Pola e ao incontornável Urso Cantábrico. Revelou-se uma excelente decisão. Não somente fomos presenteados com uma excelente refeição de pratos característicos desta região, (Chorizo à la Sidra e umas Croquetas de entrada e como pratos principais uns Escalopines al Cabrales e uma Chuleta de Ternera, acompanhados com uma Sidra que tem a particularidade de ser refrescada na ribeira adjacente ao restaurante!! Divino!!) como o Sr. Juan se revelou um óptimo anfitrião, pois ao descobrir que éramos portugueses e ao perceber a minha curiosidade pelas inúmeras fotografias alusivas à caça do Urso (noutros tempos) que decoravam as paredes, se prontificou a partilhar um pouco da historia e a tradição da Pola.

O que não vai querer perder no PN de Somiedo:

A Estrada AS-227 – Vindos de Norte, o acesso ao PN de Somiedo faz-se pela AS-227 e passando Aguasmestras toda a estrada até Pola é um deleite para os sentidos. Sempre a acompanhar o Rio Somiedo à distância de um olhar, à medida que vamos avançando, os abundantes campos de pasto vão gradualmente dando lugar ao surgimento dos primeiros penhascos e gargantas. Estes de tão íngremes que são, fazem com que nos sintamos pequeníssimos sentados nos banquitos do nosso carro. É preciso reclinar-mo-nos sobre o tabliet para tentar vislumbrar o topo dos penhascos sem que isso seja possível.

  • Ponto de paragem Obrigatória. La Riera. Pequena aldeia que não tendo muito para contar, revela-nos pela sua arquitectura o rigor dos Invernos em Somiedo. Estamos em Maio e das pequenas chaminés, o fumo que sai mistura-se com a neblina que se faz sentir, criando toda uma atmosfera de mistério e silêncio. Paramos, desligo o motor, saímos do carro com a cabeça ainda meio tonta pelos muitos kms ao som do rugido da nossa FragoneTTe, e ficamos assim em silêncio na ponte sobre o Rio Somiedo. O Rio corre sereno sob a ponte, as gotículas de humidade vão-se acumulando sobre as nossas cabeças e aquela paz invade-nos, penetra em cada poro da nossa pele, e sentimos o stress e cansaço a abandonar-nos, da mesma forma que pelo crepitar da lenha o fumo vai subindo das chaminés, se dissolve e desaparece no ar. É por “clicks” assim que viajar é o melhor remédio.

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  • Ponto de paragem Obrigatória. Central de La Malva. Aqui onde o Rio Somedo é interrompido por uma pequena barragem (explorada pela EDP), existe um parque de merendas. Se não estiver a chover vale bem a pena a paragem, para retemperar forças, comer uma bucha e observar as águas azul turquesa que se precipitam rio abaixo ao passarem sob os nossos pés.

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Pola de Somiedo – É aqui que se concentra a maior parte do comércio tradicional e os centros de apoio ao visitante. É possível visitar a Sidreria Parrilla Caríon, a Igreja de San Pedro, ver os seus milheirais, e vaguear  sem rumo por este ninho urbanístico, rodeado a toda a sua volta pelos  imponentes picos e floresta.

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Visita aos Lagos – Existem diversas trilhas com diferentes níveis de dificuldade de acesso aos inúmeros lagos na parte superior do PN. No nosso caso e como estava a nevar com alguma regularidade, fomos aconselhados a ir de carro até ao Alto La Farrapona. Aí teríamos que fazer um trajecto de pouco mais de meia hora para chegarmos a um dos lagos. Deixo aqui um link onde é possível descarregar o mapa do Parque com a indicação dos diversos trilhos para caminhadas. Sendo que a melhor altura para os percorrer é mais perto do verão. Ah!! e é mesmo que esteja muito calor, banho nos lagos não é permitido 😦

Trilhos de Caminhada PN de Somedo

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Vista a uma BRAÑA – Que não são mais do que casas rústicas de pedra com um telhado feito de  vegetação para guardar o gado nos pastos mais altos durante a estação fria, mas que são características de Somiedo e fazem parte do seu património arquitectónico.

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Alto de La Farrapona – Aqui começam as Astúrias. E teria sido a nossa porta de saída não fosse a neve que se acumulava acima dos 1500mts e que cobria na totalidade a estrada. Ainda assim dos seus 1708mts de altitude a paisagem é de perder de vista.

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A Senda del Oso – Mas isso por si só já é matéria para outro artigo…. deixo um pequeno aperitivo.

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e quanto ao mais… kms e kms de paisagens em que apetece parar a cada curva para gravar em memoria fotográfica a beleza deste lugar.

Talvez porque não tivesse reunido muita informação prévia, o elemento surpresa tenha feito com que a beleza rara e rude deste lugar nos tenha marcado profundamente, fazendo com que os três dias que ali passámos tenham sido demasiado breves para poder absorver toda a energia e magia deste lugar. Por isso mesmo exige-se um regresso, só não sei quando.

Quem sabe, talvez lá regressemos mais rápido do que imaginamos!

Através das vossas fotografias… ficamos à espera!

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Comente, partilhe, dê-nos o seu feedback. Queremos ouvir de si.

Para qualquer duvida, não hesite. ricardo.leocadia@gmail.com

Um grande Bem Haja

PICOS DA EUROPA 04, SENDA DEL CARES E COVADONGA

… na senda deste nosso último dia a acompanhar a Senda do Rio Cares, depois de temos feito a parte final do mesmo track com inicio em Poncebos ver  Artigo 03 Rota de Cares e de forma a iniciarmos o track na outra extremidade implicava percorrermos todo o caminho no sentido inverso até Potes, daí seguir em direcção a a Riano pela EN 621 até Portilla de La Reina (contornando o PN por Sul), virar à direita, apanhar a LE- 2703 e seguirmos na direcção de Posada de Valdeon e subsequentemente Cain.

Ao contrario de outras vezes deixo para o fim a partilha do track…

Picos da Europa 1ª parte 

Picos da Europa 2ª parte

O video desta segunda parte

In the neddles eye, ou como se diz em português: “onde Judas perdeu as botas” fica Cain. Uma aldeia perdida nas montanhas à qual acedemos por uma minúscula estrada sem saída, e onde tem inicio a Senda del Rio Cares. Vale totalmente cada km feito nos dois sentidos e de igual forma vale a caminhada pelo estreito trilho, que através de túneis e pontes acompanha a vivacidade com que o Rio Cares vai paulatinamente esculpindo o maior vale que atravessa os Picos da Europa.

Deixo pois em ordem cronológica o registo fotográfico deste ultimo trajecto por nós realizado nos Picos da Europa.

Como já anteriormente relatei o caminho em sentido inverso (Riano/Potes) coloco apenas as fotos que nos levariam em primeiro lugar até Cain e posteriormente até Covadonga.

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Mirador del Corzo – Puerto de San Glório
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Portilla de La Reina (onde deixamos a N-621 para apanharmos a LE -2703 no sentido de Cain)
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LE-2703
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Mirador de Pandetrave
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Lembram-se do trilho com inicio em Fuente Dé e que poupava uma data de kms??? é aqui que vem dar…. intransitável!
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A chuva que caía em Poncebos dissipara-se dando lugar a um lindo dia de Sol… mas como tudo na vida também esta circunstância iria mudar!
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Santa Marina de Valdéon
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Mirador del Tombo
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Rio Cares em Cain

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Percorrida parte da Rota de Cares era tempo de nos dirigirmos a Cangas de Onis e a Covadonda. Para tal percorremos em sentido inverso a estrada desde Cain até Posada de Valdeon e aí apanharmos a estrada LE-2711 em direcção a Cangas.

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Mirador de Valdéon
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Sensivelmente 500mts antes de Puerto de Ponton virar à direita pela N-625 no sentido de Cangas
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O lindíssimo Vale do Rio Sella em San Ignacio que nos transporta para um qualquer tempo Jurássico.

E aqui os planos sofreram uma ligeira alteração…. pelo adiantado da hora e em virtude do muito tempo perdido à procura do parque de campismo de Cangas de Onís (que estava fechado), decidimos não visitar a cidade e seguir directamente para Covadonga.

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No silêncio da quase ausência de turistas e pela envolvência da natureza em estado bruto, semi oculta pela neblina, a Basílica de N. Senhora de Covadonga, apresentou-se-nos com toda uma outra aura de misticismo e reverência como que saída de qualquer película fantástica. É neste imponente monumento que repousam os restos mortais de Pelayo, considerado o 1º Rey de Espana.

Pelayo foi aclamado Rei e fundou o Reino das Astúrias embrião dos outros reinos cristãos ibéricos responsáveis pela reconquista da península. Pelágio então instalou sua corte em Cangas de Onís. O Reino das Astúrias foi a primeira região da Península Ibérica que se libertou do domínio dos mouros quando da invasão por estes da Península Ibérica.

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“… no monte Auseva renasceu a Espanha de Cristo com a grande vitória de Pelayo…”

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O significado de «Covadonga», procede de «Cova de onnica» e significa o rio da cova. O sufixo onnica deriva do Céltico onna (“rio”).

É no Monte Auseva, mesmo em frente ao Mosteiro que se pode ver esta “Cova” onde se encontra o principal lugar de peregrinação Católico de Espanha.

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Entendendo eu, que na Península dos Ibéricos a História é uma amalgama de interesses e conquistas, avanços e retrocessos mais ou menos sempre envoltos por fábulas religiosas, deixo este local com um sentido de reverência, não tanto pelo local de culto, mas antes pelo sentido de génese da minha identidade (pós-Celta e Pré Condado Portucalense) e da determinação de um Nobre Visigodo a quem se pode atribuir a “culpa” de uma certa identidade colectiva Ibérica que de facto abraça os nossos dois países “hermanos”. Sendo Português dos 5 costados, não deixo de ser um Ibérico… e isto é algo em que nunca tinha pensado!

Talvez por estas minhas cogitações pouco católicas, a divindade se tenha decidido vingar um pouco 🙂 e a nossa visita aquele que é considerado um dos pontos mais belos dos Picos da Europa, Os Lagos de Covadonga, foi completamente decepcionante… para além do GPS descobri que estava nas margens dos Lagos pela singela placa que indicava “Lago Enol”…

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Bonito Henm??

E é com esta nota positiva que concluo o relato da nossa viagem aos Picos da Europa!

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FIM

Picos Da Europa 03, Poncebos e a Senda del Cares

Diz a sabedoria popular que “Maio que não der Trovoada, não dá coisa estimada”. E foi o caso, deu trovoada forte e feio a noite toda. E de manhã ao abrir os olhos no escuro da tenda, naquele torpor cerebral em que me questiono se já estou na terra dos vivos ou ainda não, imediatamente o meu olfacto foi invadido por aquele inigualável odor ocre a natureza e a terra molhada. De uma assentada dei um salto para fora do ninho, revigorado por este shot de vida e de felicidade. Havia muita coisa estimada para ver e descobrir.

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Ainda que de uma forma um pouco grosseira procuro aqui apresentar (com as linhas a vermelho) como geralmente é dividido o Parque Natural dos Picos da Europa para melhor nos situarmos.

O Maciço Ocidental é geralmente considerado a área que fica compreendida entre o vale do Rio Sela a “Oeste” (a estrada que vai de Riano para Cangas de Onis acompanha este Rio, no fabulástico “Desfiladero de los Beyos”) e a “Este” O Rio Cares,

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No Extremo “Oeste” do Maciço Ocidental, Desfiladero de Los Beyos – Rio Sela
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No Extremo “Este” do Maciço Oriental, Cain – Rio Cares

O Maciço Central fica compreendido entre o Rio Cares a “Oeste” e o Rio Duje que desde Poncebos passa por Sotres e vai na direcção de Espinama, sem contudo lá chegar. Aqueles que fizerem o trilho que nós tentámos (mas não conseguimos devido à neve ver; Artigo 02. Picos da Europa que vai de Epinama a Sotres quando começam a descer, é o rio que vão encontrar a entrecruzar-se com a estrada.

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No Extremo “Oeste” do Maciço Central, Cain – Rio Cares
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No Extremo “Este” do Maciço Central, Sotres – Rio Duje

O Maciço Oriental Fica compreendido a “Oeste” pelo Rio Duje e pelo Rio Deva a “Este” o qual podemos acompanhar quando vamos na estrada que vai de Potes para Panes, e mais uma vez somos surpreendidos pela sua beleza ao passarmos no “Desfiladero de la Hermida”

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No Extremo “Oeste” do Maciço Oriental, Sotres – Rio Duje
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No Extremo “Este” do Maciço Oriental, Hermida – Rio Deva

O que eu achei FASCINANTE é que destes 4 principais rios que acabam por “dividir” os Picos da Europa, 3 podemos acompanhar parte do seu percurso de carro, mas há um (para mim talvez o mais belo) que só o podemos fazer a pé, e esta é talvez uma das Rotas mais turísticas e emblemáticas para caminhantes semi-preguisosos como eu. A Senda del Rio Cares! (Penso que já algures tinha referido que tenho uma GRANDE PANCA com Rios….)

Assim a primeira parte do ambicioso plano deste 3º dia (e que conseguimos concretizar) era contornar o maciço pelo seu lado nascente na senda do Rio Deva pelo “Desfiladero de La Hermida” até Panes onde o Rio Cares e o Rio Deva se reúnem, virar à esquerda na estrada nacional AS-114 (sempre na companhia do Rio Cares) até Arenas de Cabrales (Berço do famoso queijo com o mesmo nome) Queijo de Cabrales. Daí subir em direcção a Poncebos e tantar fazer o trilho (Espinama-Sotres) no sentido inverso, caso não fosse possível, (que não foi), parar a viatura e fazer +/- metade da caminhada da Senda del Cares a partir de Poncebos.

Nota: A Senda del Cares é uma das Rotas mais emblemáticas dos Picos da Europa (para não experientes, como é o meu caso). Geralmente faz-se no sentido Cain-Poncebos e são aprox. 13 kms. Como a Rota de Cares acompanha um desfiladeiro que cruza mesmo ao meio os Picos da Europa, implica duas opções.

  1. Deixa-se o carro estacionado em Cain, faz-se os 13kms até Poncebos e depois faz-se a pé o mesmo percurso no sentido inverso (+13kms) até Cain.
  2. Deixa-se o carro estacionado em Cain, faz-se os 13kms até Poncebos e depois contrata-se uma das diversas empresas/taxis existentes para nos transportarem até Cain de volta.

Nós optamos por uma terceira via… Fazer parte do percurso começando em Poncebos e voltar ao carro, ir de carro até Cain fazer parte da “Senda” a pé e voltar ao carro. Pareceu-nos mais razoável, pois de qualquer forma teríamos que levar o carro até Cain de onde seguiríamos até Cangas de Onis onde iríamos dormir nessa noite. E assim aconteceu!!!

Deixo aqui o video deste dia.

 

A 2ª parte consistia em ir até Cain, fazer a Rota de Cares, depois ir no sentido de Cangas de Onis, visitar o Santuário de Covadonga, subir aos lagos e dávamos por concluída a nossa incursão nos Picos da Europa. Deixo aqui em imagens e por ordem cronológica a história do Dia.

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O acordar com o incomparável cheiro a natureza e terra molhada
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A cusquice das vizinhas…
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Desfiladero La Hermida entre Potes e Panes
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A chuvinha que não dava tréguas
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Rio Cares entre Panes e Arenas de Cabrales (estrada AS-114)

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Chegada a Poncebos

É em Poncebos que se situa o funícular que nos permite o acesso até Bulnes (aldeia na montanha em que o acesso é feito exclusivamente por este meio). Na aquisição dos bilhetes (que não são baratos, sensivelmente 22€ por pessoa) existem duas opções. Comprar ida e volta, ou comprar só ida e fazer o percurso inverso a pé pela montanha (sensivelmente 3 kms). Como o dia se encontrava com nuvens muito baixas e alguma chuva e depois de ler algumas criticas no TriAdviser, optámos por não o fazer. TripAdviser – Funicular de Bulnes 🙂 fica para a próxima….

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Subida de Poncebos para Sotres – Rio Duje
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Trilho Sotres-Espinama (perto de Sotres)
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Ponto de retorno (Sotres-Espinama) com a reduzida visibilidade era irrelevante continuar.

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No regresso a Poncebos
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Inicio (ou fim) da Rota del Cares

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Descobrimos o coração dos Picos da Europa!

O contraste entre a rude exuberância da paisagem e o silêncio, faz com que este seja um “passeio” que merece a pena. Apesar de ser um trilho estreito, não apresenta qualquer dificuldade, basta ter algum cuidado pois não existe qualquer barreira de segurança.

Correndo o risco de “cair” num lugar comum, digo que é daqueles sítios que convidam a parar, ficar em silêncio e absorver tanta beleza e grandiosidade. E nós assim o fizemos!

Mas o dia não estava encerrado. Viajar é como ler um livro, a história desenrola-se a cada virar da página. Podemos ler o resumo, ouvir um amigo contar como termina, ver o “trailer”, mas a menos que estejamos dispostos a seguir o autor em cada virar da página, nunca vamos poder ouvir a narrativa, ver as paisagens ou emocionar-mo-nos com as personagens. Ainda havia várias paginas a serem viradas neste dia e ao virá-las a cada uma delas nos adensámos mais e mais neste tão belo Parque. Era tempo de partir para Cain, e ver a outra”metade” da estória da Senda del Cares. E nós assim o fizemos!

Mas isso fica para o próximo post! 😉

 

 

 

Picos da Europa 02, o dia nem-nem. Espinama, Fuente Dé

Não sei se sou só eu ou é suposto ser mesmo assim, mas regra geral sinto que acabo por ter que comer apenas as migalhas daquele que tinha inicialmente sido o meu grandioso e fantástico planeamento e olha que me esforço mesmo. Desta vez tive a preciosa ajuda do Bruno Costa e do José Guerra na preparação desta viagem, a que desde já agradeço. Um Grande Bem Haja aos dois

Quando preparo os tracks, e coloco as dezenas de wps de pontos de interesse que quero visitar no GPS, creio piamente que vou conseguir concretizar tudo! Mas… acabo por ter que me adaptar às circunstancias que vão sucedendo. Repetidamente sussurro para mim mesmo qual mantra; “o que interessa é a jornada, não o destino”, mas há sempre em mim uma razoável dose de frustração, pelo que lembro ao Ricardo (eu) que da próxima já sei como fazer diferente. Tonterias! Nunca acontece.

É mais ou menos isto

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Este dia foi o perfeito exemplo disso. Daí ter decidido chamar-lhe o dia “Nem, Nem”.

Deixo novamente aqui o link do video que retrata o primeiro e segundo dia de viagem.

 

Foi sentado no alpendre da nossa casa móvel a beber a minha caneca de café, que delineei os últimos preparativos para o dia, e eram promissores!

Plano 01.  Saindo do Parque de Campismo, iríamos apanhar a estrada nº CA-185 no sentido de Potes-Fuente Dé até Espinama. Logo a seguir ao semáforo em Espinama se prestarmos atenção existe uma casa/túnel em que a estrada passa por baixo (é possível ver no video), e a partir dai é seguir a estrada de terra que atravessa longitudinalmente o Maciço Central até Sotres.

O caminho de Espinama-Sotres

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Portillas del Boquejon

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Assim que começámos a subir ao planalto estava prevista a visita às antigas minas de Àliva (presentemente transformadas em Hotel), à Ermida da N. Srª das Neves e ao Chalet Real, estava prevista mas nunca aconteceu… porque num duelo entre o Pajero e um banco de neve, venceu… a pá! Alguém mais sábio e previdente disse… “Olha que não passa!” e eu no meu eterno optimismo respondi, “Paassa, paassa”… Não passou 😦

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Toca a tirar a pá, as pranchas e o Hi-lift e vai de cavar, ao inicio a neve estava fofa, mas debaixo do jipe para libertar o diferencial traseiro, a neve compactada pelo peso do jipe parecia pedra… o que vale é que enquanto cavava a Alexandra teve muito tempo para captar em fotos a beleza da paisagem…. “o que interessa é a jornada, não o destino”, a aventura!

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E eu animado com a actividade física (e por finalmente o jipe estar desatascado), resolvi fazer um video em jeito de National Geographic sobre a vida selvagem e correr atrás das ovelhas, até que do alto do monte comecei a ouvir uns gritos, era o pastor que não achou graça nenhuma à minha veia artística! Estava na hora de Bazar.

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Por morrer uma andorinha não se acaba a Primavera.

Plano 02. Descer até Espinama, passar pelo tunelzinho, apanhar novamente a CA-185 até Fuente Dé, subir no Teleférico e depois a pé fazer o trilho que nos permitiria visitar os locais aos quais não tínhamos acesso de carro! Parecia mesmo um bom plano!

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Teleférico Fuente Dé

Chegados a Fuente Dé, facilmente encontrámos a recepção do Teleférico e lugar para estacionar. Este aquário engraçado pendurado por um cabo de aço, sobe a uma velocidade de 10 metros por segundo uma distância de 1500 metros, de modo que em menos de quatro minutos os passageiros sobem até aos 753 metros de desnível. A pé levaria muito mais tempo. Link para Teleférico de Dé

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A chegada ao topo é soberba, não nos cansamos de olhar para a linha do horizonte e de ficarmos submersos naquela imensidão de silêncio e de majestade. É como se o tempo parasse! Olhamos para o vale e vemos as pessoas como que pequenos pontinhos e sentimo-nos como se estivéssemos noutra dimensão observando a realidade à distância.

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Subimos uns poucos degraus a partir da base do teleférico, para descobrir que um vasto e espesso manto de neve cobria tudo ao nosso redor.

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Olho para o gps e digo à Alexandra; “Olha o track é ali!” resposta… “É ali onde?” Pois… há-de ser ali algures uns metros abaixo da neve… Avançámos, eu sempre com os olhos colados ao gps, a tentar descortinar onde seria o trilho, mas impossível! A cada passo enterrava os pés até à canela, ainda assim continuámos talvez por mais de 750 mts a subir sempre com muita atenção pois devido ao degelo começavam a abrir-se buracos de um tamanho considerável junto às rochas. Sem calçado ou equipamento adequado começavam a esfumar-se as hipóteses de conseguirmos dar seguimento ao plano 02.

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Um buraco derivado do degelo em que eu cabia perfeitamente lá dentro

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Ainda assim subimos até El Butron por onde a neve era mais sólida para tentar perceber como estaria o trilho do outro lado no planalto. E depois parámos! Pelo avançado da hora e pela distância que calculei que faltaria até ao Chalet Real e à Srº. das Neves não era exequível! E sussurrei para mim mesmo 3 vezes…

“Ricardo o que interessa é a jornada, não o destino, Ricardo o que interessa é a jornada, não o destino, Ricardo o que interessa é a jornada, não o destino…!”

Respirei fundo tirei o farnel e piquenicámos, porque a jornada que nos levara ali era de uma paz e beleza subliminar, e eu estava a guerrear comigo mesmo porque EU QUERIA CUMPRIR O PLANO QUE TINHA FEITO!!!!! e com o meu mau feitio estava a perder completamente um momento singular. Digam lá o que acham da “jornada”?

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Com as energias repostas estava na hora de regressar.

No caminho de volta a Potes ainda quis verificar se era possível ou não fazer o trilho que vai de Fuente Dé até Posada de Valdeon, pois este seria um atalho precioso para ir até Cain e à “Rota do Cares”

Para terem uma ideia o que este trilho encurta na distância entre Fuente Dé e Posada de Valdeon deixo aqui uma imagem. A vermelho é o trajecto que tem que se fazer por alcatrão, a verde o trilho.

Trilho Posada de Valdeon

Esta é uma polémica que já tem vários anos, tempos houve em que a circulação era livre, da busca que fiz antes de ir encontrei alguma documentação que dizia que no presente já era possível circular. No entanto quando lá cheguei, deparei-me com o malfadado sinal, e como eu sou moço respeitador e dei a volta aos cavalos… quase 100! E pus-me a caminho! E vão 3… tentativas frustradas… “Ricardo o que interessa é a jornada, não o destino, Ricardo o que interessa é a jornada, não o destino, Ricardo o que interessa é a jornada, não o destino…!”

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Como ainda faltavam umas horitas para o Sol se pôr, ainda tivemos tempo para um pequeno “boucle” com inicio e fim na tradicional aldeia de Brez.

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Eu confesso… o plano não era fazer um percurso circular com inicio e fim em Brez… O plano 04 era iniciar em Brez e terminar em Lon. kkkkkkkkk… mas não vos quero aborrecer mais com tanta frustração, digamos apenas que uma ponte caiu e tivemos que voltar para trás. Quem vir o track vai perceber…

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Para tanto “nem, nem”, até que nem foi um dia mau de todo. “o que interessa é a jornada, não o destino!!!!” Sejam Felizes.

Próximo capitulo Cain, Poncebos e a Rota do Cares. Breve, breve….

Picos da Europa 01. Lisboa-Potes

Nestes dias em que as imagens viajam mais rápidas que as pessoas, e em que fotos de lugares com os quais apenas sonhámos, fazem check in diário nos ecrãs dos nossos tablets e telemóveis, é difícil para alguém como eu, lento e vagaroso, trazer algo que seja notavelmente novo ou surpreendente. No entanto, e não obstante o facto de que quase toda a gente que eu conheço ou já foi aos Picos da Europa ou conhece alguém que lá foi, cabe-me partilhar o simples relato daquilo que foi a nossa viagem.

Deixo aqui o primeiro de dois vídeos desta nossa “Road Trip”

Bem no topo da Península Ibérica na encruzilhada das províncias das Astúrias, Cantábria e Castela e Leão, e com uma vista privilegiada sobre o Mar Cantábrico, encontramos este maciço calcário que se destaca pelas suas altitudes (em muitos casos acima dos 2500 metros) e pela sua beleza selvagem e agreste.

Este é um Parque Nacional, e foi o primeiro Espaço Protegido de Espanha quando em 1918 foi declarado por Afonso XII como o “Parque Nacional de La Montanha de Covadonga”. Pelo que toda a actividade dentro do mesmo é muito regulamentada e vigiada. Pela informação que obtive, só é possível circular pelos trilhos no interior do parque na posse de uma licença específica para tal, ou quando acompanhado por quem a tenha (na maioria das vezes, empresas turísticas que se fazem valer da mesma). Pelo que nem me atreverei a apelidar à nossa viagem de “Overland”, apenas de “Road Trip”.

Mapas das nossas deambulações!mapa picos.jpg

Quem viaja de Sul como foi o nosso caso, o aconselhável será seguir até Leon (pouco mais de 700 kms) e a partir daí seguir em direcção a Riano.

É quando passamos a ponte em “El Albacedo”, pequena vila residencial sem muito para ver e começamos a subir, num suave bailado, serpenteando o Rio Esla, que verdadeiramente sentimos que estamos a entrar no perímetro da cordilheira.  A paisagem é composta sobretudo de prados com gado a pastar, mas progressivamente a estrada estreita, torna-se mais sinuosa e os nossos ouvidos começam a acusar a altitude. Depois de uns “S” mais sinuosos entramos nuns túneis e à saída! Bam! O nosso primeiro choque com a beleza deste Parque.

Diante de nós temos o “Embalse de Riano”, a ponte que o atravessa até à povoação com o mesmo nome, e qual pano de fundo, a dar-nos as boas vindas, surgem os Picos cobertos de neve. Primeira paragem obrigatória para o álbum de recordações.

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Para além da sua beleza Riano também é importante porque é aqui que o viajante deve planear como vai fazer a sua incursão pelos Picos. Aqui situa-se a bifurcação das estradas que levam ou para o extremo Este dos Picos na direcção de Cangas de Onis, ou para Oeste no sentido de Potes.

Sendo os Picos um enorme aglomerados de montanhas de grande altitude, não é possível cruzar o mesmo pelo meio para visitar os diversos pontos de interesse. Pelo que a circulação faz-se quase sempre pelo perímetro do mesmo.  Regra geral, assenta-se arraiais numa destas cidades (ou Cangas de Onis ou Potes), que é onde se encontra a maior oferta hoteleira, e a partir dai, diariamente planeia-se as várias incursões no parque. No nosso caso optámos por Potes.

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Seguindo a N-621 na qual ao contornar as íngremes escarpas da montanha somos muitas vezes cobertos pelas mesmas, subimos sempre, tendo o Rio Yuso como companhia até Llanaves de la Reina. Serpenteamos pela vale em Mansilla de las Mulas, até chegarmos a Puerto de San Glorio.

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Mansilla de las Mulas
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Puerto de San Glorio

A parti daqui é desengatar e aproveitar a paisagem… (estive quase para tirar a bicicleta e saborear a descida)… são vários kms sempre a descer até Bores a partir de onde acompanhamos o Rio Quiviesa até Potes.

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Mirador del Corzo

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Potes é considerado um dos mais belos povos da Cantábria. Situado na comarca de Liébana, deve-o à sua arquitectura, diversas pontes que o atravessam sobre os rios que ali confluem (Rio Quiviessa e Rio Deva) e pela envolvência das montanhas que o rodeiam. É como que um pequeno ninho no meio das montanhas. A parte velha da cidade foi declarada como Bem de Interesse Cultural, existindo documentos que a ela se referem desde meados do Séc. IX.

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Esta seria a nossa base para os próximos 3 dias. Recomendo vivamente o parque de Campismo “La Isla”. Extremamente simpáticos no atendimento, bem integrado com a natureza fazendo fronteira com o Rio Deva, e com boas condições. Camping La Isla 

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Camping La Isla

Para encerrar as hostilidades do dia nada como assistir ao Sunset, sentado numa das muitas esplanadas na Calle de La Independencia a saborear uma Sidra, servida com requinte, e acompanhada de “Unas Croquetas” e un “Chorizo à la Sidra”.

 

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A caminho de uma boa noite de sono.

 

 

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